Dicas,  Japão

Trabalhar no Japão vale a pena? Veja dicas, salários e custo de vida

A cada ano que passa cresce o número de brasileiros que decidem morar fora do Brasil. Entre os destinos escolhidos com frequência, vale destacar o Japão, que surpreende com suas estatísticas de desenvolvimento. Quem deseja começar uma nova vida nesse país, que fica do outro lado do mundo, deve conhecer as oportunidades de trabalhar no Japão.

Brasil e Japão estão separamos por 17.360 quilômetros. Para cruzar o oceano, o voo dura 24 horas ou mais. O horário entre os dois países também é bem diferente: em terras japonesas, o relógio caminha 12 horas a frente em relação ao Brasil. As diferenças econômicas, culturais e sociais também são gritantes. Ainda assim, o Brasil tem 1,5 milhão de habitantes de origem japonesa, ou seja, a maior comunidade japonesa fora do Japão. Nos últimos anos, no entanto, o caminho se inverteu: muitos brasileiros estão arrumando as malas e indo tentar a vida em solo nipônico.

De acordo com informações divulgadas pelo Ministério do Trabalho, Saúde e Bem-Estar do Japão, o número de brasileiros que trabalham no país é de 106.597. No ranking geral, a comunidade brasileira fica atrás dos chineses, vietnamitas e filipinos.

Nessa matéria, você conhecerá um pouco mais sobre quem pode trabalhar no Japão, quais são os ofícios mais comuns entre os estrangeiros e o custo de vida. Também ficará por dentro dos salários e sites de emprego, bem como as vantagens e desvantagens de morar na terra do sol nascente.

Quem pode trabalhar no Japão?

Os descendentes de japoneses são autorizados a trabalhar no Japão. Contudo, nos últimos anos, o governo do país tem estimulado a contratação de estudantes e trabalhadores qualificados.

Segundo dados do governo japonês, há 1,28 milhão de estrangeiros desenvolvendo alguma atividade remunerada no Japão. Desde 2012, o número cresceu de 1,1% para 2%. Esse crescimento não está relacionado à quantidade de pessoas que migram exclusivamente com o objetivo de trabalhar no Japão. O aumento se deve, na verdade, aos estudantes que trabalham meio período e aos estagiários técnicos.

Entenda como funcionam as oportunidades de emprego para cada perfil:

Profissionais altamente qualificados

Os estrangeiros que possuem excelentes qualificações possuem boas chances de conseguir emprego no Japão. Para isso, no entanto, é preciso receber o convite de uma empresa japonesa.

Desde 2012, o governo japonês trabalha com o visto de trabalho para profissionais altamente qualificados. Esse documento legaliza a permanência de estrangeiros. Após três anos, é possível dar entrada no pedido de residência permanente no Japão.

Estimulando a contratação de estrangeiros qualificados, o Japão espera resolver um problema de falta de mão de obra que existe no país. Esse déficit de profissionais talentosos se deve ao menor número de crianças e ao envelhecimento da população nos últimos anos.

Estudante

Quer estudar no Japão? Pois saiba que o governo tem estimulado a oferta de bolsas de estudo para estrangeiros. Os estudantes podem fazer um curso de graduação ou pós-graduação em alguma universidade japonesa e também trabalhar meio período (28 horas semanais). Contudo, para desempenhar uma atividade remunerada, é necessário solicitar uma permissão junto à instituição de ensino e dar entrada numa licença especial.

Descendentes

Se não for altamente qualificado, o brasileiro só pode trabalhar no Japão se for descendente de japoneses. Para exercer uma atividade no país, no entanto, ele precisa dar entrada no visto e aguardar a liberação.

Cônjuges de japoneses

O brasileiro ou a brasileira, casado com alguém de nacionalidade japonesa, pode requerer o visto e assim trabalhar no país legalmente.

Quais são as opções de visto?

Há, basicamente, três possibilidades:

Visto de trabalho

O visto de curta permanência não dá permissão para exercer uma atividade remunerada no Japão. Quem deseja trabalhar no país deve solicitar o visto de trabalho, que comporta não só a contratação por uma empresa japonesa, mas também uma transferência. O documento também atende as necessidades das funções de médico, engenheiro, jornalista, gerente de negócios e pesquisador. Duração: de 1 a 3 anos, podendo ser renovado.

A empresa, responsável por oferecer oportunidade de trabalho no Japão para brasileiro, patrocina a emissão do visto e cuida dos detalhes da emissão do Certificado de Elegibilidade. Esse documento, emitido pelo Departamento de Imigração do Japão, comprova que o estrangeiro está apto para migrar.

Visto específico

No caso dos descendentes (até a 4ª geração) e cônjuges, a recomendação é a categoria de visto específico. Nesse caso, no entanto, a emissão é bastante burocrática e exige uma série de documentos.

Visto de estudante

Os brasileiros com planos de estudar no Japão e trabalhar meio período podem dar entrada no visto de estudante. Esse documento vale em caso de faculdade, mestrado e cursos especiais. Ele oferece alguns benefícios, como a possibilidade de abrir conta em banco ou assinar contrato de celular. Duração: até dois anos e pode ser renovado.

Trabalhos mais comuns para brasileiros no Japão

As vagas de emprego no Japão para brasileiros estão concentradas, em sua maioria, nas fábricas japonesas. Há também outros setores que contratam pessoas com nacionalidade brasileira, como restaurantes, comércios, supermercados e lojas de conveniência.

No caso dos brasileiros qualificados, as contratações são frequentes nas áreas de tecnologia da informação, ensino de idiomas, bancos de investimento, engenharia e vendas.

Profissionais em falta no Japão

Ficar de olho nas profissões que estão em falta no Japão pode ser uma ótima oportunidade para os brasileiros. O RH das empresas japonesas enfrenta dificuldades para encontrar trabalhadores para assumir as seguintes funções:

  1. Engenheiros
  2. Representante de Vendas
  3. Profissionais de TI
  4. Contadores e profissionais de finanças
  5. Motoristas
  6. Técnicos
  7. Gerente de Vendas
  8. Médicos e profissionais de saúde (exceto enfermeiros)
  9. Operários
  10. Trabalhadores de Ofício

Cidades com maior concentração de brasileiros

Embora Tóquio seja a província japonesa que mais emprega estrangeiros (mais de 300 mil), ela não concentra a maior comunidade brasileira do país. Veja a seguir quais são as cidades japonesas com o maior número de brasileiros:

Aichi

Aichi é o polo do setor automobilístico. A região reúne montadoras como Toyota, Mitsubishi, Volkswagen e Daimler Chrysler. São mais de 50 mil brasileiros morando nessa localidade, que trabalham principalmente nas fábricas automobilísticas.

Shizuoka

Na cidade japonesa de Shizuoka, que fica a 174,5 km de Tóquio, o forte mesmo são as fábricas de autopeças e a produção de chá-verde. Há cerca de 33,5 mil brasileiros nessa região.

Mie

Quase 15 mil brasileiros moram na província de Mie. A região conta com vários templos milenares e também é famosa por suas belezas naturais.

Gifu

Gifu possui pontos turísticos incríveis, como parques temáticos, montanhas, cachoeiras e castelos. A província também é o lar de 13,3 mil brasileiros que escolheram o Japão para viver.

Gunma

Gunma, localizada a 125 km de Tóquio, é uma região montanhosa e com lindas paisagens. Cerca de 13 mil pessoas com nacionalidade brasileira moram por lá.

Kanagawa

Kanagawa é uma das províncias que mais empregam estrangeiros no Japão, ficando atrás apenas de Tóquio e Aichi. A região, famosa por suas belezas arquitetônicas, recebe embarcações de vários lugares do mundo, graças ao seu porto (o maior do país). A comunidade brasileira conta com, em média, 10 mil pessoas.

Saitama

Cerca de 9 mil brasileiros moram em Saitama, uma província com paisagens montanhosas.

Shiga

Quem escolher Shiga como o local para morar fará parte de uma comunidade que já conta com 8,7 mil brasileiros. A região tem vários rios, lagos, templos e castelos.

Nagano

Nagano tem uma população com pouco mais de 2 milhões de habitantes, sendo que 7,5 mil são brasileiros. A província ganhou fama internacional porque possui algumas das montanhas mais altas do Japão.

Custo de vida

Quando o objetivo é mudar para outro país, seja para viver uma temporada ou estabelecer residência permanente, o custo de vida é o principal ponto a ser levantado. No caso do Japão, pesquisas apontam que custo de vida é, consideravelmente, barato em relação ao que se ganha. Por esse motivo, muitos brasileiros acabam indo para terra do sol nascente a fim de juntarem dinheiro e, depois, voltarem para Brasil.

Em relação aos imóveis, o aluguel de um apartamento mobiliado em um bairro caro de Tóquio, por exemplo, fica torno R$ 5mil reais. Esse preço pode até parecer alto, mas quando se vive em um país em que a remuneração mínima é 3 vezes maior do que a do Brasil, fica fácil compreender qual o motivo responsável por fazer com que custo de vida faça jus ao salário.

No entanto, como há outros fatores que devem ser levados em consideração, confira abaixo um pouco mais sobre preços destinados aos principais gastos do Japão:

  • 1kg de tomate: 508 IENES (R$16,00).
  • Pães para 2 pessoas: 158 IENES (R$ 5,00).
  • 1lt de leite: 158 IENES (R$ 5,00).
  • Refeição em restaurantes: 731 IENES (R$ 23,00).
  • Internet: 2.701 IENES (R$ 85,00).
  • Transporte público mensal: 8.073 IENES (R$ 254,00).

Salário mínimo no Japão

Assim como foi citado no tópico anterior, o salário mínimo japonês é um dos grandes diferenciais na hora de escolher esse país para trabalhar.

Como a maioria das vagas, preenchidas por estrangeiros, faz parte de setores operacionais, saber sobre o salário mínimo pode ser um dos pontos de partida para decidir se trabalhar no Japão vale a pena ou não.

salário mínimo japonês é calculado por hora, indo de 600 a 1500 por hora trabalhada. No caso de um estrangeiro, que recebe 800 ienes por hora trabalhada e tem uma jornada de 12 horas por dia, 22 dias por mês, o valor da remuneração é de 211.200 ienes. Convertendo para reais, isso dá em média R$7.775,24 mensal.

Veja a seguir o salário mínimo por hora em algumas províncias japonesas, considerando os valores praticados em 2017:

  • Tóquio: 958 ienes
  • Aichi: 871 ienes
  • Shizuoka: 832 ienes
  • Mie: 820 ienes
  • Gifu: 800 ienes
  • Gunma: 783 ienes
  • Kanagawa: 956 ienes
  • Saitama: 871 ienes
  • Shiga: 813 ienes

Japão e o excesso de trabalho

A jornada de trabalho no Japão costuma ser um pouco mais longa e puxada, se comparada a do Brasil. Por lá, as pessoas trabalham em média 12 horas por dia, com direito a 1 hora de descanso. Essa carga horária pode ser dividida em três períodos.

Recentemente, o governo do Japão começou a incentivar folga em uma manhã de segunda-feira por mês. A medida foi tomada para que combater o excesso de trabalho e gerar um equilíbrio entre a vida pessoal e profissional.

Em 2016, o governo japonês descobriu através de uma pesquisa que 20% dos trabalhadores estavam fazendo cerca de 80 horas extras por mês. O estudo considerou uma amostra de 10 mil trabalhadores.

A principal preocupação é como as horas exaustivas de trabalho podem ter impacto na saúde das pessoas. Em geral, a jornada excessiva causa doenças cardíacas e problemas mentais (que podem levar ao suicídio).

Dicas para aumentar as chances de emprego no Japão

#1 – Qualifique-se ao máximo

A tendência é que o governo japonês estimule, cada vez mais, a contratação de profissionais altamente preparados. Portanto, qualifique-se e torne-se um profissional de alto nível.

#2 – Aprenda japonês e inglês

Estude japonês, pois o domínio do idioma local ajudará na disputa por vagas de emprego. Caso você não possa pagar um professor particular, aproveite os cursos de idiomas online e gratuitos. Ter conhecimentos avançados de inglês também é importante para ter espaço no mercado de trabalho nipônico.

#3 – Fique de olho nas empresas japonesas da sua área

Procure conhecer um pouco mais sobre as empresas japonesas da sua área de atuação. De repente uma multinacional japonesa, com negócios no Brasil, pode render uma transferência.

#4 – Visite sites de emprego no Japão

Para aquecer as suas chances arrumar trabalho, visite os principais sites de busca de emprego no Japão, são eles:

#5 – Faça amizade com brasileiros que já estão no Japão

Encontre brasileiros que já moram e trabalham no Japão, através de grupos no Facebook. Comece a conversar com eles e procure entender como foi todo o processo de imigração, desde a busca por emprego até a adaptação à cultura oriental. Esse tipo de contato pode, até mesmo, render uma indicação.

#6 – Estude no Japão

Conseguir visto de trabalho no Japão é extremamente complicado, por isso vale a pena fazer uma pós-graduação no país e obter o visto de estudante. Durante o período de estudos, você terá a chance de ampliar a rede de contatos e conseguir uma vaga de emprego.

Pontos positivos de morar no Japão

Quem resolve morar no Japão conta com uma série de pontos positivos. Veja as vantagens:

  • Segurança: o Japão é um dos países mais seguros do mundo. As pessoas podem andar tranquilamente nas ruas, sem medo de assalto.
  • Educação de qualidade: as escolas japonesas garantem um ensino exemplar, inclusive para os filhos de cidadãos estrangeiros.
  • Internet muito rápida: o país tem tecnologia avançada, por isso a conexão com a internet é bem ágil e eficiente.
  • Muitas tradições: quem se identifica com a cultura nipônica vai amar a vida no Japão. Os japoneses levam muito a sério suas tradições.
  • Estímulo para uma vida saudável: além de possuir uma culinária altamente saudável, o Japão também oferece muitos lugares com natureza preservada, como jardins e praças.

Pontos negativos de morar no Japão

  • Desastres naturais: terremotos, tsunamis e tufões são comuns nas cidades japonesas.
  • Estresse: no Japão, as pessoas trabalham muito e isso pode levar ao estresse.
  • Machismo: está enraizado na cultura nipônica, por isso as mulheres ganham bem menos do que os homens.

Será que vale a pena trabalhar no Japão?

Depois de conhecer as principais informações sobre trabalho no Japão para brasileiros, há uma dúvida que possivelmente está pairando pela a sua cabeça: Será que vale a pena imigrar para terras nipônicas?

A resposta para essa questão é muito pessoal, pois como boa parte das coisas na vida, há vantagens e desvantagens que assolam essa escolha. Devido a isso, o que deve ser analisado é o quanto você está preparado (a) para abrir mão do seu solo de origem em troca do desconhecido.

Entre fatores positivos sobre viver no Japão, destacam-se pontos, como segurança, educação de qualidade, sistema de saúde impecável e, sobretudo, a facilidade em juntar dinheiro.  Porém, para abraçar todos esses “prós” é necessário estar preparado para os contras, que resultam em uma rotina de trabalho exaustiva e uma cultura local bem distante da brasileira.

Fonte: https://viacarreira.com/trabalhar-no-japao/